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domingo, 16 de agosto de 2020

QUASE




Nós fomos quase tudo

Ou melhor

De tudo fomos quase

Batendo entraves.


Não importa.


Esses quases todos

Para mim foram tanto

Foram tudo.


Iniciações.


Mergulhar na água gelada

Tocar o fundo

E sair tremendo

Para nunca mais.


E essa intensidade toda

De que eu tive tanto e tão pouco

Me deixou no limbo

Entre o tudo e o nada.


Não sei.


De tudo que quase fomos

O que somos hoje?


É

Inomeável

Indizível

Indefinível

Indecifrável

Indomável

Intocável.


Não me importa.


É sensível

É muito

É.


E só.


quinta-feira, 23 de julho de 2020

Sou filha de Júpiter


Sou filha de Júpiter.
Nem de Cronos nem de Urano.
De Júpiter.

Reproduz,
Jorra, 
Verte.

Água verde,
Abundante,
Doação,
Mão generosa,
Grande,
Terna,
Poderosa.

Sou filha de Júpiter.
Amor que não acaba.
Coração que explode,
De tudo que for bom.

Sou filha de Júpiter.
Somo,
Divido,
Multiplico,
Mas nunca diminuo.

Transbordo.

Se for de paz e bem,
Entre e aproveite!

terça-feira, 28 de abril de 2020

Pequeno Inventário do Paraíso




Achei esse poeminha aqui, perdido nos meus escritos. Simplório, mas justamente por isso, e porque o momento faz com que a gente valorize as pequenas coisas, achei por bem postar. Um tantinho de alento...




Colo,

de mãe.
Massagem,
de homem.
Doce,
de vó.

Ombro,
de amigue.
Beijo,
de bicho.
Fruta,
do pé.

Água,
de côco.
Café,
de moka.
Brigadeiro,
de colher.

Banho,
de chuva.
Passeio,
de bicicleta.
Sorvete,
de casquinha.

Comida,
de pobre.
Bebida,
de graça.
Carona,
de volta pra casa.

Mão,
de cabeleireira.
Risada,
de irmã.
Dia,
de festa.

Sono,
de filho.
Silêncio,
de mato.
Blusa,
de lã.

Conversa,
de empregada.
Conselho,
de criança.
História,
de amor.

Cheiro,
de almoço do vizinho.
Luz,
de lua cheia,
de sol,
de estrelas.
Poema,
sem fim.