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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Lixinhos poéticos no. 1: Sextou



Meu amor,
O que você faria?
Me perguntaram um dia.
Um papo descontraído,
Mesa de bar,
Gente divertida
Depois de umas biritas.

Imagina
Você vai ao banheiro…
(número 1 ou número 2?)
[gargalhadas]
Número dois.
(Ok.)
E descobre que não tem papel.
O que você faria?

[Ih!]
[Caralho!]
[Difícil essa hein?]
(De calça arriada e rabo empinado iria pulando até a despensa.)
[Mais gargalhadas]
[Boa!]
[E se não tiver na despensa?]
(Limpo na tua cara.)
[Silêncio]
[Gargalhadas]

Quando aconteceu mesmo foi diferente.

A irmã pede para olhar o menino.
[Só um tiquinho,
O tempo de pintar
O cabelo e a unha.]

Aceitei.
Foi ela ao salão.
E eu brincar de babá.
De sling e tudo
Levei o neném para passear
Na pracinha.

Na volta,
No elevador,
Um cheiro estranho.
Estranho nada.
Bem conhecido.

O sobrinho sorteou direitinho
Para fazer o número 2 no colo do titio.

Expert em trocar fralda
Não sou.
Mas de boa,
A criança pelo menos ia ficar limpa.

Só que
Quando cruzo a porta da frente
Senti a barriga quente.
E pela coxa
E o joelho
Escorria.

(Merda!)

E aí,
O que você faria?
Pega nada.
Banheiro e chuveiro estão logo ali.

Abro a porta.
Impedimento marcado.
Não tem como atravessar
O tapete estendido
Bem no meio da sala.

Deus me perdoe,
E também nossa senhora das pias.
Mas só o que me sobrou
Foi aquela na cozinha.

Jesus dorme na manjedoura.
Meu sobrinho lavo na pia.

Só o balde salva
Molho de calça, blusa, sling e roupinha.
E desinfetante
Para disfarçar o cheiro de bosta para a maninha.

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