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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Lixinhos poéticos no. 1: Sextou



Meu amor,
O que você faria?
Me perguntaram um dia.
Um papo descontraído,
Mesa de bar,
Gente divertida
Depois de umas biritas.

Imagina
Você vai ao banheiro…
(número 1 ou número 2?)
[gargalhadas]
Número dois.
(Ok.)
E descobre que não tem papel.
O que você faria?

[Ih!]
[Caralho!]
[Difícil essa hein?]
(De calça arriada e rabo empinado iria pulando até a despensa.)
[Mais gargalhadas]
[Boa!]
[E se não tiver na despensa?]
(Limpo na tua cara.)
[Silêncio]
[Gargalhadas]

Quando aconteceu mesmo foi diferente.

sábado, 27 de abril de 2019

A Ana C.

Podem me prender
Podem me bater
Que eu
Me recuso.

Não
Não vou
Jogar o jogo.

Me recuso,
Ao medo
À tristeza.

Ainda que me tirem
Até o último
Fio de cabelo
Ou me arranquem
As unhas

Que me chamem de todos os nomes
À vontade,
Mas me recuso,
Ao consolo,
À paz.

Pois se há vida
Há paixão
Há vontade

E revolta.
Sangue
Em constante ebulição
Que não seca.
Grito pronto
Que não sai.
Água salgada
Que não verte nem turva a vista.

Brasa escondida
Onde eu fervo
Palavras que lanham
Olhares que queimam
Gestos de abrir ferida.

Quero vocês todos assim
Feridas abertas em praça pública.
Acuso
Não me excuso
E aponto armas
Forjadas dentro de mim.

Olhai e vede
Como o senhor é bom.
Tem as mãos sujas de sangue
de gente,
de bicho,
de mundo,
de inocentes e culpados.

Olha a sua mão, mamãe!
Pai, o que é isso no seu bolso?
Vocês estão doentes?
Se machucaram?
Não quero que vocês morram.

Calma, filhinha!
Esse sangue não é nosso.
Quer ver?
Mamãe vai ali
Lavar as mãos.

terça-feira, 9 de abril de 2019

∞0

0

O que é que falta?
Para a gente,
Dizer que não quer mais assim?


O que mais falta?
Para a gente,
Ver que não é por aí?


Quem é que falta,
Para a gente dizer que chega?
Para ver que não vale a pena?
Para pedir para mudar?


Quantos mais faltam?
Para a gente pensar outro jeito,
Outra forma de existir.


Uma existência plena,
Que não seja só minha,
Que não seja só sua,
Que não dependa,

Do extermínio do outro.

O outro,
Sombra,
Aquele que,
Sem saber,
Eu não conheço.


Talvez o que falte,
Seja uma outra guerra.
A guerra dos outros.