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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Faz dois janeiros


Janeiro. Uma tarde quente. Muito quente. Há dois anos. Poderia inclusive precisar o dia, porque algumas horas depois tiraram uma foto minha. Estou de costas para a paisagem de um dos lugares mais queridos no mundo para mim: o centro do Rio de Janeiro. Estou de cabelos soltos, vestindo minha bata branca favorita, no Parque das Ruínas. Uma imagem do instante em que se olha uma imagem.
Um conto é uma imagem. Um recorte de um mundo. Daquele início de tarde de cozinhar corpos e coisas, retive uma imagem. Gostaria de ter tido a oportunidade de fotografar. Não dizem que escritores são metabolizantes capazes de sintetizar o mundo? Gostaria de ter cristalizado aquela imagem num conto. Mas até hoje não consegui. Tentei, mas não sou pintor*. São mais até. Duas no mínimo.
Naqueles dias eu me tornava gente. Não sei se algum dia tinha deixado de ser, ou se nunca tinha sido. Mas naquele tempo eu começava ou voltava a sê-lo.
Último sinal da Augusto Severo antes da Teixeira de Freitas e do Passeio Público, em frente ao IHGB. Olhei à esquerda.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

#TBT (ou ainda sobre resistir)

Para os meus amigos




Um político há alguns meses, em meados do ano passado, em resposta ao título de uma minissérie, Os Dias Eram Assim, pediu que os internautas postassem fotos dos tempos da ditadura. Como bons seguidores do ídolo, eles assim o fizeram, e o resultado foi uma coletânea de fotos de artistas na praia, rindo em festas e etc. O argumento que ele pretendia defender? De que "os dias eram assim" na realidade: a ditadura havia sido um tempo bom. Se até os intelectuais e artistas que foram presos e censurados estavam ali sorrindo à larga, como podemos afirmar que foi ruim?  As imagens não desmentem as palavras?