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sábado, 7 de maio de 2016

A de Amizade

Não, não vou falar sobre mães. Eu gosto de estar fora do padrão, de marchar, de pensar ao lado; de fazer diferente. Então, se vocês hoje quiserem ouvir sobre amizade, leiam. 
Este texto não era para estar aqui, porque ele é parte de um projeto maior, que não sei se terei fôlego para terminar, mas gostaria muito. Entretanto, hoje quando comentei com uma amiga muito querida que havia escrito sobre amizade, ela quis ler. Então ele veio para cá, para estar loguinho com ela. 

Amizade (latim vulgar amicitas, -atis).

Pouco importa a potencialidade de falar sobre a alma, o abstrato, o outro mundo e outros mundos. A amizade é assunto para mim infinitas vezes mais sedutor. Não adianta, a gente fala daquilo que nos é caro. Porque de todas as relações (humanas e não-humanas), a amizade é para mim a mais valiosa e delicada.
Não falo aqui de conexões, contatos, conhecimentos, colegas. Nestes laços estão envolvidos interesses de algum tipo. Baseiam-se na troca; mercantilização de contato. Quero falar das amizades; aquelas junções inexplicáveis.
Gosto da amizade porque é aliança, mais santa que o matrimônio. Quase um feitiço. Dos relacionamentos existentes, a amizade é o menos provável, menos possível; sem sentido lógico. A amizade definitivamente não é racional.
Amigos encontram-se por acaso, mas permanecem juntos por livre escolha. Há partilha, é verdade. Trocam-se interesses, ideias, receitas, afeto… por um prazer simples, e ao mesmo tempo tão complicado. E quando nos damos conta, somos capazes de pôr em risco até a vida, por um afeto dos mais tênues. Ligados por uma atração perigosamente delicada.
Retirados os impulsos sexuais e as vantagens e intercâmbios de toda sorte (agentes de embaralhamento dos sentimentos), sobra o sem sentido: a amizade.
Não há sangue, pátria, Deus, dinheiro nem espécie. Não há nada que justifique a amizade, além do gosto que esta tem em ser alimentada. Uma gratidão, uma vontade de extrapolar a alegria da partilha da vida.
Não que sejamos imunes aos efeitos do contato, pelo contrário. Impossível não sermos contaminados pelo amigo. Há memória, experiência, ideias, o aprendizado. Nunca seremos os mesmos de novo. Mas não há proporcionalidade, regulamentação, protocolo. E somos senhores do toque: basta que se afastem as superfícies de contato e tudo se apaga. Ou não. Nunca se sabe.
Por toda essa radical liberdade; sem culpa, sem dever, sem cobrança. Por esse nada em potencial, que pode vir a ser a potência maior, eu declaro: a amizade é sublime, santa e sagrada.

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