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quinta-feira, 24 de março de 2016

Racismo: Está na cabeça de cada um

Não é novidade para ninguém que atualmente todo mundo quer falar de tudo. O imediatismo das redes sociais torna qualquer assunto um debate público extenso, ainda que, na maioria das vezes, este debate seja pouco aprofundado. Em geral, essas intervenções se resumem a ofensas e agressões, ou a uma verborragia de muitas convicções mas pouco embasamento. Esse cenário atual foi muito bem percebido e resumido por Nuno Ramos durante debate na PUC-Rio em 2015, onde disse nunca ter visto tanta gente com tantas certezas, e que estava impressionado como hoje todos pareciam saber de tudo.

E ultimamente é assim que acontece, pelo menos na minha experiência: compartilha-se um vídeo ou um texto que contém idéias mais polêmicas e logo em seguida aparece aquele conhecido — que nunca curte nem compartilha nada mais trivial postado no perfil — comentando agressivamente no post.  E aí, quando o comentário é rebatido de forma madura, com embasamento histórico, acadêmico e crítico, por meio de vídeos, textos, depoimentos e afins, a pessoa some. Silencia. Isso quando não deleta o comentário. Só que dessa vez foi diferente.
Começou como de hábito. O assunto da semana foi a babá obrigada a acompanhar os patrões numa manifestação. Gostei muito do vídeo de uma moça sobre o assunto e compartilhei. Lembro bem de como terminava: "Não venha falar da minha dor, se você não tem a minha cor." Passados nem dez minutos e a postagem recebeu os seguintes comentários:

"Bla bl bla mais uma vitima...."

"Nicole com todo o respeito este video é muito bla bla bla,.... Meu Deus como o povo quer se vitimizar! Daqui a pouco vai aparecer um doido dizendo que tem extinguir todos os brancos para assim terem oportunidades rsrsrs!"

Tudo dentro da agressividade já corriqueira das redes sociais. Já estava pronta para argumentar, mas aí me senti impotente e desconcertada, tudo embaralhou. Como é que se explica a discriminação racial para uma pessoa negra?


segunda-feira, 14 de março de 2016

Mataram meu pai




Ontem quando fui dormir lembrei do meu pai. Olhei para cima e vi uma escuridão muito grande: tudo plano e sem graça. E então lembrei do meu teto quando eu era criança. Meus pais trouxeram de São Paulo uns adesivos fluorescentes de estrelas e planetas, desses esverdeados que brilham no escuro. Colaram no teto do nosso quarto. Tinha estrela grande e pequena, planetas, cometas rabudinhos… O que eu mais gostava era o Saturno (ou qualquer que fosse aquele planeta anelado), justamente por causa dos anéis, tão reais. As noites eram mais bonitas, e mais claras até, com esse céu que papai montou. Porque tenho certeza que foi idéia dele.
Meu pai gostava do céu, de observar os astros. Me ensinou a ver meteoros. Nunca me esqueço da noite em que ele me explicou o movimento dos astros. Me lembro de estar na copa, com sua mesa comprida de pés palito em latão e tampo laqueado fajutão, imitando madeira (estava sempre atulhada de papéis). À esquerda