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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Experiência e riqueza

Hoje aconteceu um desses momentos que surpreendem a gente. Fui conversar com minha prima Denise, pois vou utilizar as publicações de sua página "Dê e Bruce" em uma monografia sobre os livros do bebê e a subjetivação da gestante. Mas aí, ao ver o desenrolar da conversa, percebi que eu tinha ali um depoimento muito forte, importante e necessário de ser divulgado por aí. Era muito mais do que gravidez, tinha a ver com muita coisa da vida. Era tanto para mim, que não quero ter filhos, como para todas as mulheres (e para os homens, também!) que querem ser pessoas melhores.
Fora que nosso papo dialogou com Benjamin e seu narrador da experiência, com vários dos devires de Deleuze e Guattari, o imaginário (o devaneio de Bachelard?), o exercício da escrita de si de Foucault ... fora que teve Beauvoir, feminismo, matriarcado... putz, foi um conversão! Não tinha como não compartilhar aos quatro ventos. Então segue aí, o relato de Denise Almeida sobre seu processo de subjetivação pré-concepção, de gravidez e, o estabelecimento do relacionamento com a super simpática Surya!
Só peço que você, por favor, que perdoem as minhas falas, porque eu sou quase o non-sense de Lewis Carroll, misturado ao gaguejar de Crítica e Clínica.

Surya

Nicole: "Normal, né? Criança precisa dormir bastante. Ela já dormiu?"
Denise: "Sim, ela acabou de dormir. Mamou um pouco e dormiu agora. Pra mim é até bom ter com quem falar porque eu tenho ficado tão sozinha com ela ultimamente... assim…, porque ela tá sem rotina, então eu nunca sei quando posso sair, quando dá pra eu fazer alguma atividade fora de casa ou não, então você tá sendo minha companhia na soneca dela agora."
Nicole: "Que coisa boa, Denise! Bom saber disso. O Bruce trabalha o dia todo?"
Denise: "O Bruce trabalha até as três, só que agora no final do ano a gente pegou um... teatro para fazer, um auto de natal, que a Surya  inclusive vai ser o primeiro teatro dela  ela vai ser menino Jesus no auto de Natal, eu tô orgulhosíssima. Aí ele tá trabalhando com produção, com uns figurinos que tem que terminar de organizar… uns figurinos para levar lá pra São José. Mas de uma forma geral, dia a dia assim normal, ele chega às três… que é um horário super bom, né? Porque dá tempo ainda de eu fazer coisas em casa, responder uns emails, trabalhar um pouco enquanto ele fica com ela."
Nicole: "É, se você tivesse que ficar o dia todo com o neném assim sozinha, não ia ser fácil, né? ia... acho que ia ser pior. Realmente, ter o apoio assim de alguém, né, que chega assim relativamente mais cedo, né? do que a maioria, pode ficar um pouquinho, dar uma ajuda, acho que deve ser bem legal mesmo… é, ainda mais sendo o pai, né? que tem uma responsabilidade com o neném. Mas que legal, ela vai ser menino Jesus..."
Denise: "Eu sempre falo pra ele que eu não gosto desse termo… assim, que ele me ajuda, sabe? Eu acho que ele faz a parte dele, né? Porque sendo pai não é ajuda. Ajuda seria se um amigo, uma pessoa, família mais distante assim que vem te dar uma visita, fica um pouco com a criança, mas ele fazer eu não considero ajuda, eu considero que é a parte do cuidado que ele tem que fazer mesmo, né? Mas isso do teatro me deixou muito feliz também, eu acho muito bonitinho. O figurino ficou lindo, ela tem uma manjedoura e tudo mais… é… é muito fofinho."
Nicole: "Falou tudo, né, Denise? Realmente, não é ajuda, é uma responsabilidade como pai que ele tem, eu acho que a sua postura … ela é importante, pra começar a mudar essa… essa relação que a sociedade tem com a função do pai na criação dos filhos, nas tarefas do lar, que é tido como se o cara estivesse fazendo um favor e não uma parte que é dele por dever, né? pra contribuir na …. ali na comunidade da família."
Denise: "Isso mesmo. Mas o que você tinha perguntado sobre … sobre os textos lá da página, mesmo? Quando que a gente começou a escrever, foi isso?"
Nicole: "É. É que o que acontece é o seguinte: eu tô pesquisando pra fazer um trabalho sobre … primeiro, a influência do livro de bebê na vida da criança depois que ela cresce, qual a relação do bebê depois de ter crescido com esse livro, e essa necessidade da gestante de conversar, de trabalhar uma relação subjetiva com a criança, que eu achei assim, bastante contraditória, que é muito presente isso na literatura biográfica, no arquivo, da mãe escrever carta, escrever poesia, falar com o feto, mas não de forma, assim por exemplo, 'ah o feto já tá, sei lá, no sétimo mês de gestação e tal, então eu sei que o feto consegue ouvir sons. Então eu vou falar, vou cantar pro meu filho para estabelecer um vínculo com ele.' Diferente. É aquela coisa de trabalhar no imaginário uma relação com um indivíduo que ainda não existe, né? Quer dizer, ele já existe mas ele ainda não tem a capacidade de estabelecer uma relação em termos de indivíduo com a mãe. Aí eu fui olhar a sua página (Dê e Bruce) e eu achei muito curioso, uma coisa que eu não tinha observado, porque eu comecei a seguir com mais assiduidade (a página) depois que você engravidou, que você postava as fotos de grávida, os momentos no pré-natal, no ultrassom, com visitas de amigos e tudo mais. Mas aí eu fiquei impressionada porque eu fui indo na página "Dê e Bruce", pra trás, pra trás … e eu tive a impressão — é isso que eu fiquei na dúvida  — que você começou a trabalhar um exercício de correspondências — muito antes de você engravidar. Ou você chegou a engravidar e sofreu um aborto espontâneo da primeira gestação e engravidou de novo? Isso eu fiquei um pouco na dúvida. Mas de qualquer forma, eu achei um exercício de subjetivação muito interessante porque, se realmente você e o Bruce começaram a se corresponder com seu filho antes de você conceber, eu achei interessante porque é o exercício da existência antes da própria existência ... material, concretizada, um exercício de existência pela vontade, pelo desejo. Eu achei isso muito legal, se foi o que eu entendi. E diferente do que a gente está acostumado, do que eu pude perceber das mães e das gestantes escrevendo sobre ou um aborto espontâneo, ou seja, a perda do que seria um filho ou uma criança nascida. Ou então escrevendo poemas ou cartas para o filho que já tá ali, né? Já tá concebido. Um feto que está se desenvolvendo dentro dela."
Denise: "Então, a gente teve vários momentos, na verdade. Essa impressão que você teve é real. A gente começou a escrever mais de um ano antes de eu ficar grávida, de fato. É… porque como da Júlia eu engravidei sem querer e sem planejar, eu não tinha certeza como que seria o processo agora. Não só pelo tempo, né? passou quase doze anos de uma gravidez pra outra, mas também por ter tomado anticoncepcional muito tempo e tudo mais, então eu não sabia exatamente como que seria, como ia ser a concepção, nesse caso, da segunda gravidez.
E como eu sou bastante ansiosa, assim, eu me preocupo com as coisas muito antecipadamente e tudo mais... a gente planejou a gravidez um ano antes da Surya existir mesmo, né? que nem você falou. E conforme os meses foram passando e eu não ficava grávida, a minha ansiedade foi aumentando muito. E eu passei a frequentar uma psicóloga, pra conversar com ela, assim. E foi uma orientação que ela deu: escrever pro bebê mesmo que a gente ainda não soubesse quando viria, né? … a gravidez toda. Então eu escrevi pra Surya treze meses antes de eu ficar grávida. Então tem bastante coisa. E inclusive eu ia até falar pra você — não sei como que eu poderia te mandar esse material —  mas eu tenho muita coisa que eu escrevi pra ela não publicada, escrita à mão mesmo porque o exercício de escrever à mão, de acordo com a minha psicóloga, é até mais efetivo, do que você digitar mesmo.
E aí, eu e o Bruce a gente... a maioria das vezes a gente se correspondia por email, então quase todos os textos que têm pra Surya, que foram publicados na página, foram textos que a gente mandava um pro outro, via email, e daí depois que eu criei a página eu publiquei pros meus amigos, assim. Eu nem esperava que tanta gente fosse ver, na verdade. Era uma coisa pra amigos mais íntimos, mas daí eu percebi também na internet que as pessoas gostam muito de acompanhar esse processo, e… às vezes até é… como é que eu vou dizer? … é reconfortante pra outras mães também, que estão esperando engravidar, você vê o processo de outras que passaram por tempos mais longos ou mais curtos de espera pra conceber."
Nicole: "Uma coisa que eu ouço assim… desde sempre, né? é que a ansiedade, ela age muito negativamente, isso é até uma coisa que eu acho super interessante. Como a cabeça, o psicológico age no corpo. A gente somatiza, então assim, o quanto os pais … tensos, ansiosos, muito desejosos  e já tendo feito exames que comprovem que não tem nada impendindo, eles não são estéreis, eles não têm nenhum problema pra se reproduzir, pra conceber  , como eles demoram às vezes justamente pela ansiedade. Engraçado que isso me lembra muito um relato que eu li no Segundo Sexo. Que a Simone tem em cada capítulo uma condição da mulher. No capítulo sobre a mãe ela tem um relato médico que ela fala de um casal que já tinha tentado de tudo pra ter filho, já tinha feito tudo quanto é tipo de exame e tals. E um dos médicos então fala pra eles: "O dia em que vocês não pensarem mais em ter filho, você terão um filho." Eles não acreditaram, mas o engraçado é que um dia eles desistiram, eles disseram: "a gente não vai conseguir." Aí foi coisa de dez, doze meses depois, nascia o primeiro filho. Quando cessou aquela ansiedade, meio que uma neura pela concepção, eles acabaram tendo o filho.
Mas, eu acredito que a gente ativa outras áreas do cérebro escrevendo e não digitando, mas isso era uma coisa que eu ia te perguntar. É legal saber que você tem material… infelizmente eu não vou, até depois um dia, se você estiver disposta, acho até que eu vou conversar com a minha professora dessa matéria, se ela quiser eu posso até desenvolver um trabalho assim mais longo, mais detalhado, sobre essa parte da literatura de correspondência com o ser vindouro… o futuro filho. Isso que eu queria te dizer, se uma dia você estiver disposta a abrir assim a privacidade dos seus cadernos pra eu ver tudo o que você escreveu pra a Surya, eu sim, quero ver, com muita curiosidade, muito interesse esse lado do seu arquivo pessoal. E isso era uma pergunta que eu ia te fazer, que era uma coisa que eu fiquei pensando, que antes, se você não fosse um artista, uma pessoa assim pública, dificilmente isso seria uma coisa pública. No máximo se o pai se correspondesse com a mãe e tudo o mais, ...ou assim, quando muito, familiares ou amigos. Até como era antigamente (até bem pouco tempo, aliás), você casava e fazia um álbum de casamento ou álbum de fotos do filho, você mostrava pras pessoas que iam ali, uma visita que pedisse pra ver, não era uma coisa assim tão pública, tão divulgada, né? Eu acho que a esfera pública e privada hoje em dia nas redes sociais elas se dissolvem, se mesclam de uma maneira que às vezes eu fico pensando até que ponto isso não pode ser nocivo, danoso. Não sei, né? Você se expor tanto. Mas acho que depende muito de quem, dos motivos pelos quais a pessoa tá fazendo isso, né? Porque às vezes se você tá fazendo aquilo buscando uma aceitação, você pode ter… sofrer um baque muito forte, porque a internet não perdoa, né? Assim, as pessoas que estão ali atrás de um perfil de rede social, elas são muito, não sei, eu acho que o ser humano ele assume uma postura muito mais tranquila pra julgar, pra condenar, pra apontar o dedo, pra falar e comentar quando ele tá na rede social, num chat… assim, num ambiente virtual. E então era isso que era uma coisa que eu também ia te perguntar, se você não se questionou da adequação, se era apropriado ou não fazer essa divulgação... de algum material, no caso, que você está dizendo de um material digital que você trabalhou com o Bruce, certo? que vocês trocaram enquanto vocês estavam esperando a concepção da Surya. Não sei se eu entendi..."
Denise: " Então, se você vir… mais ou menos as datas dos textos que a gente publicou, tem um hiato gigante, assim, entre quando eu comecei a tentar ficar grávida e quando eu fiquei. Porque eu não sei, eu devo ter escrito alguns meses, uns cinco meses assim… e daí eu publiquei, e eu senti que aquilo em vez de ajudar piorou, nesse sentido que você disse, que na internet as pessoas têm mais liberdade pra julgar, e pra fazer alguns comentários… e as pessoas passaram a me perguntar muito se eu estava grávida, se eu já tinha conseguido, se a gente tinha feito exames, se tava tudo certo e tudo mais. Então, em vez… hmmm, então, eu publiquei e em alguns momentos foi muito bom, né? Eu tive companhia na minha espera. Mas em outro sentido a gente decidiu parar de publicar um tempo —  por isso que eu tenho bastante coisa escrita, inclusive — porque aquilo em vez de me ajudar, tinha passado a piorar minha ansiedade, porque daí as pessoas se sentiram à vontade, né? Porque eu dei essa liberdade pras pessoas, de perguntarem detalhes e aquilo ficava martelando na minha ansiedade, e sempre voltando na minha memória a cada mês, né? Que eu não tava grávida de novo, e não tava de novo, e assim sucessivamente.
Mas de uma forma geral, eu acho que foi uma auto… é… auto digestão. Foi uma forma que eu encontrei, né? Escrever pra ela foi uma forma que eu encontrei de me conectar com a gravidez dessa forma que você falou, subjetiva. Porque objetivamente a gravidez ela é muito cercada de coisas pouco… pouco humanas, eu vou dizer, né? Fazer exame, pesar, medir barriga não te dá a dimensão do que tá acontecendo de fato. Não te aproxima do processo. E pensar, assim... mais poeticamente e mais subjetivamente no que tava acontecendo, mesmo quando eu ainda não tava grávida me ajudava a dar uma dimensão mais... humana… eu acho que até mais espiritual … assim, do que tava acontecendo porque faz a gente refletir mais, né? Escrever parece que faz você pensar duas vezes, no mesmo assunto, assim.
Minha psicóloga diz que eu tive gravidez de elefante, né? Porque foram quase vinte e quatro meses, de quando eu decidi engravidar até quando a Surya nasceu. Então foi um processo de gestação mental, anterior, né? e depois a gestação física, de fato. (risinho)"
Nicole: "Nossa, eu tô assim, é... porque eu comecei assim o trabalho, bem assim...sabe quando você começa achando que vai ser uma coisa muito mais… menos profunda até, sabe? E quando eu fui olhar eu falei: 'Gente, que coisa de louco!' E, agora uma coisa que eu queria te perguntar... assim, meio que pra costurar direitinho isso tudo. É…como é que… porque uma coisa que você falou e que ficou até excessivamente na minha cabeça, a hora que a gente tava … a primeira coisa que você falou, que esse momentozinho que a gente conversasse seria um momento pra você de companhia, que você tá muito sozinha, até porque como você não tem ainda uma rotina estabelecida com a Surya… você não sabe se pode sair, se pode… o que fazer, que você tá muito em casa… Quando eu resolvi pegar o meu livro de bebê e pegar essa experiência de correspondência da gestante, eu resolvi pegar as experiências da gestante a partir de você. Porque eu acho que se eu fosse buscar na minha mãe, apesar de eu saber que ela vai lembrar pra falar, eu acho que como tem essa influência do passado, que já agiu sobre mim, eu achei que o trabalho fosse ficar contaminado, no ponto da influência na gestante. Então eu falei: 'Poxa, a Denise acabou de ganhar um neném… assim há tão pouco tempo…' Daí eu achei que você tinha um trabalho bastante...um material bem documentado na página do "face", e vejo agora que tem mais ainda do que eu imaginava, porque tem esse período que você escreveu sem postar nada pra não sofrer com a cobrança alheia… Então, eu queria perguntar como está sendo essa experiência agora... esse contato real, porque agora, por mais que a Surya ainda não tenha consciência disso, ela existe. Você tem agora uma conexão muito mais real do que antes, né? Real em termos de físico, né? Você tem um bebê que chora, que tem vontades, que tá interagindo com você de maneira indiscutível… não tem mais subjetivo, ela tá aí. Então, como é que você sente isso? Você olhar pra trás e aquela… aquele neném que nem tava concebido, que você nem sabia se ia "rolar", se não ia "rolar" e… agora… esse bebê real concretizado aí contigo?"

Denise: "Então, olha só que interessante você ter falado do trabalho… que se você fizesse com a sua mãe ficaria contaminado assim… pela experiência que você já tem, mas acho que nem é só isso. Eu acho que fica incompleto mesmo. Porque tem várias coisas que eu perguntava pra minha mãe e pra minhas tias, todas que tiveram filhos e tudo mais, e elas sempre relatavam pra mim:  "Ah, bebê recém-nascido é difícil, mas a gente esquece logo." E eu frequentei um grupo de gestantes durante a gravidez toda e todas falavam a mesma coisa: "a gente sabe que bebê recém-nascido é difícil, mas a gente esquece logo." E da Júlia, apesar de eu ter sido muito tutelada, sempre tinha alguém perto, e sempre alguém fez muito por mim quando ela era recém-nascida  ou a vó paterna ou outras pessoas que estavam comigo  em alguns momentos eu tive responsabilidade com ela direta sim e de fato a gente esquece, porque… eu não sei. Eu acho que isso deve ser uma estratégia evolutiva. Porque se a gente lembrasse o trabalho que dá, eu acho que ninguém teria segundo filho, assim, porque apesar de ser um amor indescritível, a gente se apaixona pelo bebê assim muito rápido e muito intensamente, os dias passam de uma forma quase… ai, não sei dizer… não sei qual palavra colocar, mas a gente fica tão imerso na rotina, que às vezes você esquece do olhar pro tempo… se tá ventando, se tá chovendo. Esses dias eu me dei conta que eu não sei mais como é que tá a calçada da minha casa, assim... eu não... A gente fica muito reclusa. E conforme os dias vão passando, no caso ela tem sessenta e cinco dias hoje, né? é um mês e uma semaninha, assim, quase uma semana, é, dois meses e uma semana. E eu acho que isso beira a psicose, porque a gente fica tão voltada pro bebê, tão direcionada ... pro cuidado com o bebê que eu acho … que é quase um momento que deixa a gente menos ... civilizada, vamos dizer assim… a gente esquece um pouco da cultura, esquece um pouco da intelectualidade, sabe? E as coisas ficam muito muito fisiológicas mesmo. Você faz o que sente, e o bebê expressa o que precisa, né? E a gente fica nesse ciclo de instinto e cuidado e … e … dar mamá e trocar fralda, que é muito ligado mesmo ao que é fisiológico. Nos primeiros dias é basicamente isso mesmo.
E a minha mãe veio aqui em casa várias vezes, vários dias e tudo o mais, algumas vezes eu vou pagar conta ou vou ao supermercado com ela, e ela sempre fala: "Eu sei que quando vocês nasceram era assim, mas conviver com bebê recém-nascido de novo faz a gente lembrar que realmente dá um trabalho"… assim... contínuo, você fica o tempo todo voltada pra criança. E de forma nenhuma eu acho que isso é uma reclamação, é só uma constatação da realidade mesmo porque foi uma coisa que eu esperei muito pra fazer. E é muito recompensador ver ela se desenvolvendo, você vê a cada dia coisas novas e tudo mais. Mas, sobre a solidão, é uma coisa que eu falei durante o curso de gestante todo, era uma coisa que eu me recordava muito... do puerpério da Júlia, de eu me sentir muito sozinha. Só que no caso dela era uma solidão ruim, assim… eu tenho uma lembrança ruim desse sentimento de solidão. E com a Surya não. Eu passo muito tempo só com ela, mas eu acho que é uma solidão produtiva … eu sinto que eu me conecto melhor com ela. A rotina flui melhor quando eu tô sozinha apesar de eu ficar cansada, flui melhor quando eu tô sozinha e... a impressão que dá é que é quase uma metamorfose, assim... você sai do casulo. Porque eu acho que a gravidez não acaba quando o parto acaba. Eu acho que a gente ainda fica algumas semanas, talvez pra algumas mulheres até meses, digerindo aquela falta da barriga e concebendo a ideia de que o neném é real… igual você falou, assim. Muitas vezes eu acordo, ou vejo ela fazendo coisas novas e me dou conta: "Nossa, isso é material! Isso é realidade agora."
Eu não sei se isso é hormonal ou se a gente tem uma carga de cultura nesse processo também, porque a gravidez muito idealizada assim, ela é até prejudicial, né? A maternidade muito idealizada, ela é prejudicial… porque a gente espera aquilo de comercial de margarina. Eu digo a gente de uma forma geral mesmo, como sociedade, porque eu convivi com muitas mães muito realistas no curso de gestante então foi bom pra mim, porque eu entrei nesse período do puerpério consciente do que ia acontecer.
E agora o que eu sinto é que é uma transição muuuito gradual. Assim como foi pra eu engravidar, e depois a gestação toda as coisas foram mudando muito por etapas, assim, de eu me adaptar com várias mudanças bem lentamente, agora tá sendo uma outra adaptação... é… a adaptação de entender que ela é um indivíduo, né? Porque enquanto tá dentro da barriga a gente controla 100% das coisas. Não digo controlar, né? Mas você tem um certo domínio da situação assim, né? O bebê é 100% portátil. (risos) Agora que ela tá fora da barriga, eu ainda cuido, sou eu que tenho que prover nutrição e o cuidado todo, assim, mas eu dependo de muitas coisas dela pra conseguir dar andamento na minha vida… do humor dela, do sono dela, da fome dela. Então ela sendo um indivíduo, ela já me impõe alguns limites, com relação à minha vida. E eu acho que é isso que frustra muitas mães, porque na idealização da maternidade as pessoas acham que o bebê vai ser um enfeite na vida, né? Que você vai ter o bebê e vai te acompanhar na manicure, ou na aula de zumba. E não é bem assim que acontece, né? A gente precisa dedicar um tempo pra eles aprenderem a ser gente mesmo, a ser civilizados, né? Porque nasce um bichinho e ela não quer saber se eu tô ocupada… ela quer mamar, e precisa trocar a fralda, tomar banho e tudo mais e ela não espera. Então essa limitação da vida —  que eu sei que é passageira —  ela é muito intensa no dia a dia, assim. Então muitas vezes, por exemplo, eu preciso terminar de lavar a louça e não consigo. A minha cadela fica sem ração porque eu tenho que priorizar a Surya, e a minha casa  que era muito limpa na gravidez  agora tá desorganizada. Então, são limitações da vida prática que não têm nada a ver com o que a gente escreve de poesia pro bebê e de bordar lenços perfeitamente brancos e de pensar num enxoval maravilhoso e na decoração do quarto… que apesar de ser deliciosa essa fase, ela é bem pouco prática. Eu acho que a gestante vive muito mais num mundo imaginário, muito conto de fadas, assim — que eu acho que é uma fase necessária — que eu acho que com o fim da gestação a gente tem um baque com a realidade muito brusco. Então, o que as pessoas chamam de depressão pós-parto muitas vezes é um desalinhamento entre a perspectiva que a gestante tinha e a realidade que a mãe no puerpério tem mesmo.
Acho que se a gente não tiver apoio nessa fase, é bem fácil de pirar. Bem fácil de pirar. De ficar maluca, assim. Porque os hormônios ainda estão agindo muito intensamente no corpo, né? Então a gente não sabe exatamente até onde é cansaço, até onde é estresse, até onde é … é um frustração por não conseguir ir ao banheiro e comer direito e tomar um banho... decente e tudo mais, e ao mesmo tempo você descansa dez minutos e aí a criança sorri, ou faz alguma coisa nova e você se sente revigorada pra cuidar mais quarenta e oito horas seguidas se for possível, sabe? Então é bem dicotômico, assim, é bem difícil de explicar, é uma sensação meio sem nome."
Nicole: "Nossa, Denise. Eu estou impressionada com a forma com que você tá definindo... algumas palavras, por exemplo, como sensação sem nome, pouco humano, muito fisiológico, gravidez como processo imaginário… realmente, assim que a gente terminar de conversar e tudo, eu vou transcrever essa gravação que ficou aqui, foi bom eu ter gravado, ao invés da gente fazer uma ligação. Eu vou transcrever, vou dialogar com o que eu tô trabalhando aqui, mas fica assim um depoimento… um relato de vivência muito rico pra mim. Tanto como literatura, como estudo de um momento que eu acho que é muito, como você mesma falou, é muito idealizado pela sociedade, e isso até acaba virando uma certa cobrança, né? A cobrança de uma mãe sempre feliz, de uma mãe realizada que vai dizer assim: 'Ah, sim! O neném era exatamente tudo que eu esperei, assim, enquanto… não que não seja o que você esperou, mas assim, vai ser uma coisa muito mais real, com momentos… assim… com altos e baixos, com sensações conflitantes e nem sempre boas. Acho que a gente também vive hoje em dia numa cobrança por felicidade, né? Uma cobrança por alegria, tudo tem que ser 100% bom, você não pode dizer, por exemplo, que fez uma viagem e que viu uma coisa triste ou que teve um dia que você queria ter estado em casa, né? Apesar de, de repente, no final daquela viagem você ter voltado e falado: "Pô, essa viagem foi maneiríssima. Faria outra." Tô falando assim, de algo que é da minha realidade. Ou então, por exemplo, no momento do luto, a pessoa perde um ente querido, um cachorro, um gato e não há um respeito por aquele momento de chorar mesmo, de ficar triste. Lógico, se aquilo se estende muito pode fazer mal pra pessoa, mas eu acho que existe o momento da tristeza, da frustração, do difícil, do ruim. A gente vive numa cobrança por tudo ser muito bom, 100%. Não sei, acho que talvez esse seja também um fator da influência das redes sociais, né? … Pode notar: quem posta que está triste, hoje aconteceu isso ou aquilo… pessoas que batem nessa tecla são mal vistas pelos outros nas redes sociais. Fica aquela cobrança pra sempre ser up, você não tem abertura pra ter momentos conflitantes e difíceis.
Assim, eu acho que seu depoimento é muito rico em termos de uma literatura pouco explorada, porque é uma literatura anônima. Anônima no sentido de que ela não é publicada, não tem um sentido de ficção… ela é uma escrita de si pra si, mas ela existe, e eu acho que é rica, e é preciso mapear, estudar. Mas fica também um depoimento de vida. Não sei, eu tenho no meu entorno algumas...na realidade eu acho que gestante mesmo, no momento, eu só tenho uma amiga. Mas várias conhecidas, amigas e parentes assim, que tão nessa coisa do 'Ah, eu quero engravidar' e tudo, e eu observo e eu fico pensando, o quanto será que essas mulheres estão pensando tudo isso? Porque elas vão vivenciar, não exatamente a mesma experiência que você, mas elas vão passar pela experiência, e será que elas têm toda essa consciência que você tem do que tá acontecendo? Como é que elas vão lidar com isso? De repente você ter consciência e conseguir identificar o que está acontecendo com você torna aquele processo menos doloroso… menos traumatizante… Não sei, o que é que você acha?"
Denise: "Exatamente, o que você falou sobre essa ilusão de felicidade das redes sociais tem muito a ver com esse sentimento dúbio, eu acho, que as mulheres têm sobre a maternidade. Porque não só as redes sociais, mas a mídia de uma forma geral, né? Passa uma mensagem meio angelical da gravidez, da amamentação, e na realidade — não só pela minha experiência, mas por todas as pessoas que eu conheço — a gravidez e o puerpério são muito sombrios, né? Fazem a gente se confrontar muitas vezes com incertezas que são bem, assim, profundas, né? Até com relação à morte mesmo. A maioria das gestantes têm muito medo de morrer, tanto no parto quanto deixar um bebê recém-nascido, né? Essa ideia da morte passa muito pela cabeça da gente quando a gente tá grávida e tá com nenê pequeno, porque você fica pensando: "Se acontecer alguma coisa comigo quem vai cuidar tão bem quanto eu, né?" Então, isso é muito mal visto, como você falou. Se você vai a um lugar onde as pessoas não têm esse conhecimento, você vai ser muito mal julgada quando você diz que tem medo e diz que tem inseguranças e que muitas vezes chora, né? E não está feliz em algumas circunstâncias. Mas eu acho muito importante ser dito, justamente pra desmistificar. Porque não é que a gente tá depressiva, ou que é um momento ruim, uma tristeza constante, mas ela é presente… e eu diria até que ela é 50%, assim. Porque a preocupação que a gente tem com o bebê é tão grande, como eu disse pra você, que eu acho que beira um pouco a psicose, a gente fica bem malucona. Mas agora, por exemplo, que ela já completou dois meses, dá pra sentir fisicamente mesmo que as coisas vão se estabilizando, que a rotina fica mais fácil de entender, que os sinais do bebê ficam mais fáceis de entender, e daí ao mesmo tempo a gente vai se reencontrando também. Você consegue se olhar no espelho e se reconhecer mesmo, porque os primeiros dias de pós-parto são absolutamente indescritíveis, é uma cascata hormonal e muito choro de felicidade, muito choro de incerteza… muitas sensações muito intensas.
E o que você falou com relação ao planejamento, por exemplo, da gravidez, também é um fator assim que eu pensei muito, porque eu planejei a gravidez materialmente. Então eu e o meu marido a gente escolheu um trabalho que eu pudesse trabalhar em casa, então tem bastante coisa do meu trabalho que eu posso fazer em casa, e a parte material, assim: quarto, berço, enxoval, essas coisas foram planejadas, mas o processo da gravidez é muito difícil da gente planejar. Primeiro que você não sabe se vai ficar grávida imediatamente, e segundo que ninguém sabe o que esperar, né? Porque a Júlia, por exemplo, eu não tive nenhum sintoma. Eu não tive enjoo, eu não tive dor de cabeça, eu não tive desejo, não tive dor nas costas, nada. Então eu planejei a minha gravidez considerando que seria semelhante, né? Porque é o mesmo corpo, a mesma pessoa, então eu achava que eu não ia ter nenhum sintoma também. E da Surya eu tive tudo. Então eu quis trabalhar durante a gravidez toda, mas em vários momentos eu tive que me afastar do trabalho. Óbvio, nada grave, mas de ter que ficar de repouso um dia, dois… né? Coisas assim que são comuns na gravidez, mas que eu não havia planejado. E em muitos momentos na gravidez eu fiquei frustrada por causa disso, porque eu queria continuar trabalhando no mesmo ritmo e queria ter a mesma sensação daquela gravidez sem intercorrência nenhuma que foi a da Júlia, né? Então, mesmo que a gente tenha um nível de planejamento assim, é muito difícil concretizar, eu acho. E isso gera muita frustração na mulher também, porque, de uma forma geral, a gente acha que vai ser dona da gravidez… que você vai fazer tudo que sonhou, tudo que é possível pra ter a melhor lembrança daquele momento, assim. E, é lógico, 90% das coisas são maravilhosas mesmo… é muito gostoso ficar grávida. Mas tem lá uma porcentagem do tempo que é… como fala?... não tem como a gente prever, é imprevisível. Você não vai saber exatamente o que esperar quando engravida. E às vezes eu vejo também, colegas que querem ficar grávidas e falam isso: "Ah, eu vou fazer um book, né? Vou fazer um ensaio fotográfico vestida de … mil e uma personagens… sabe? Tem uma visão da gravidez muito fútil, eu acho, que de forma nenhuma é julgamento também, porque eu acho muito legal essas bobeirinhas de gravidez, assim, da gente pintar a barriga e fazer foto e tudo mais, eu acho um momento propício pra fazer isso. Eu só acho que não é só isso, entende?"
Nicole: "Sim, entendo perfeitamente. Tem o lado de aproveitar, como tudo né? Aquela hora que você resolve pirar, zoar e também a parte … nem sei como dizer… mais séria, mais contemplativa, mas reflexiva de tudo na vida. O que eu queria te perguntar é: eu teria licença pra publicar essa transcrição… dessa conversa que a gente tá tendo aqui? Porque eu acho que pode ser que seja… eu tenho o "vertendo vida", né? … que é o blog. Eu não planejava fazer isso, eu planejava transcrever. Na realidade eu não planejava nem transcrever, eu planejava reouvir tudo que a gente conversou, as partes que me pegaram mais, assim, que eu acho que vão ser mais cabais pro trabalho, mas… eu fiquei impressionada com tudo que eu ouvi. E eu acho que.. sei lá... se você autorizar, que a sua voz seja uma voz divulgada mais adiante um pouco, porque eu posso compartilhar… como uma entrevista mesmo. Eu gostaria de fazê-lo, você autoriza?"
Denise: "Claro, pode publicar onde quiser. Pode republicar texto da página, do áudio ou transcrito, da forma que você achar mais conveniente, não tem restrição não, pode usar tudo.
Pode usar essa conversa aqui, pode usar tudo. Pode ficar tranquila. Eu inclusive participei de um projeto grande agora. A minha foto do perfil do Facebook também foi pra um projeto sobre relatos de parto, e eu acho muito legal isso, da gente passar a experiência pra frente porque ajuda outras pessoas a avaliarem o que estão sentindo, o que estão vivendo. Eu li muito relato, de muitas mães, sobre gravidez, parto, amamentação e tudo mais, que me ajudaram muito, então eu só tô contribuindo porque eu recebi muitas contribuições também, de relatos, eu acho muito legal."
Nicole: "Legal isso que você tá me falando, Denise. Porque essa coisa do contribuir, mesmo que… agora falando, parece um eco, assim, passar essa conversa, publicar essa conversa é um eco... de mulheres que tiveram filhos, mas assim, mesmo que, eu não tendo filhos e nem tendo essa intenção, eu acho que é uma contribuição para aquelas que vão ter e parece que, quando você fala, assim, que você leu e ouviu muitos relatos de outras mulheres sobre gravidez, eu sinto muito aquela coisa meio que de uma comunidade mesmo, de mulheres em prol umas das outras, se ajudando... se apoiando, e eu sinto que isso seja talvez muito mais acentuado na gestação porque é uma coisa que só as mulheres vão sentir, é uma situação exclusivamente feminina. Mas eu sinto talvez que seria interessante se as mulheres aprendessem a ter esse sentido de comunidade em todos os outros aspectos da vida. Na vida profissional, na vida social, familiar, que a gente se apoiasse mais, né? E eu acho agora que eu estou falando um troço meio doido (risos), vou editar depois, as minhas falas são as mais ridículas, tô aqui já enquanto a gente tá conversando, eu tô aqui já transcrevendo o começo da conversa e eu tô assim: "Meu Deus, eu falo muito mal. É muito feito, fica horroroso. Eu pareço uma idiota completa, mas… (risos) aquela coisa, viva o Matriarcado, né? Eu acho que falta muito isso, acho que as mulheres assumem em todos os outros aspectos da vida uma postura de competição umas com as outras, ao invés de ajuda, de mútua contribuição e respeito e apoio, que devia ter o tempo todo, né? Não só entre mulheres, mas de todo mundo, né? A gente devia ser mais doador e ajudante do que a gente é, na realidade, eu acho… sei lá. Nossa, obrigada de você ter conversado comigo, foi muito, muito, muito enriquecedor, tudo que você falou. Você é uma pessoa muito iluminada, que no tempo que eu tive contato com você, que eu acho que foi um contato mais íntimo, que foi da época que você tava grávida da Júlia, depois um pouquinho depois que a Júlia nasceu, muito pouco. Aí depois também eu me mudei, mas eu acompanho você pelo Facebook e eu acho que você é uma pessoa que tá todo dia crescendo, você tá sempre sendo e isso é muito bom. Não buscar estar alguém, mas estar sempre sendo alguém, e isso é legal porque aí a gente cresce, a gente está em constante mudança, é aprendizado. Então, é isso. Espero que você tenha gostado...Não sei, acho que é isso. Você gostaria de acrescentar mais alguma coisa?"
Denise: "Então, não tem nada de ridículo isso que você falou aí, é isso aí mesmo. A gente tá falando a mesma coisa. Não corte muito a sua fala porque ela tá super alinhada com o que eu penso de fato. Eu acho que essa experiência de gestação, de parto e de amamentação tem muita cultura machista carregada nela, e que a gente está vivendo uns movimentos de retorno a algumas origens e de transformação de alguns conceitos, assim, que aproximam mais as mulheres mesmo, a gente consegue enxergar coisas muito transcendentais nessas experiências, né? Tanto que durante a gravidez da Surya eu me reaproximei assim com a minha mãe, a nossa relação melhorou, justamente porque eu convivi com muitas mulheres maravilhosas e eu pude enxergar na minha mãe dificuldades e desafios e superações que ela teve durante a vida e entender algumas atitudes que ela teve. E eu acho que de uma forma geral quanto mais a gente se comunica, a gente se apoia, mais a gente consegue entender uma a outra e se livrar desse caráter competitivo mesmo que você falou, que é muito machista, né? Muito … opressor. E educar menina é uma responsabilidade muito complexa assim, que com a Júlia pra mim é, me frustrou em muitos momentos, pela minha imaturidade e tudo, mas que agora é um recomeço muito interessante, então, quanto mais eu puder estar em contato com outras mães, mais me enriquece, né? …. e se você tiver mais alguma pergunta e quiser complementar alguma informação é só mandar… eu sei que é difícil dissertação acadêmica, assim, que a gente fica muito preso também, né? É quase um bebezinho, não é mesmo? (risos) Porque você fica com 100% da sua atenção voltada pra isso, mas se você tiver um tempo aí pode mandar mais perguntas que eu te respondo...Um beijo e bom trabalho aí."

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