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domingo, 11 de janeiro de 2015

A criatividade e o inconsciente

Por Que Você Pensa Melhor No Chuveiro: Criatividade e o "Período de Incubação"

Por Josh Jones, para o blog Open Culture, 30 de dezembro de 2014

Tradução: Nicole A. Marcelo
arch bath


"O grande Tao definha."
Assim começa uma tradução do 18º capítulo do Tao Te Ching. A frase captura a frustração que acompanha uma epifania perdida. Seja uma compreensão profunda quando acaba de acordar, ou um momento de clareza no chuveiro, quando as engrenagens de sua mente começam a se movimentar e você tateia atrás de caneta e papel, a inspiração evaporou, substituída por um atordoado e atrapalhado "O que foi isso mesmo?"
"A inteligência surge. Aí há grande engano."
Os bruscos lampejos de introspecção que temos em estados de distração meditativa — ao tomar uma ducha, tirar o matinho do jardim, dirigir do trabalho para casa —  iludem nosso consciente com tanta freqüência justamente porque requerem esse desligamento.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Um filme para Charlie

Um filme para refletir Charlie Hebdo



Nesta quarta-feira, dia 07, os olhos da mídia se voltaram para Paris, depois do ataque que vitimou doze profissionais do periódico Charlie Hebdo. Prato cheio para a extrema direita, e talvez até mesmo para o europeu médio em geral, já bastante cansado dos 'não-me-toques' do comportamento muçulmano que acabam por permear sua rotina de vida social. Aquela sensação de que tem gente querendo 'cantar de galo no seu galinheiro'.
Mas eu não estou aqui para dar opinião. Tenho pouquíssimo conhecimento político e social sobre esse assunto para ficar metendo o bedelho. Hoje venho sugerir uma obra forte, do cineasta Bruno Dumont, que, tendo vista o desenrolar dos acontecimentos, não poderia ser mais oportuna e atual: O Pecado de Hadewijch, de 2009.


Céline (Julie Sokolowsky) é uma noviça que recebe dispensa do convento por não obedecer a regra e suas superioras. De volta à casa, em Paris, a jovem se vê sozinha;

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ostra ou pérola?


Na primeira memória vívida que tenho da minha infância eu estou em Ubatuba, onde minha família passava as férias de verão, numa feirinha de artesanato e bijuterias perto da praia. Eu tinha quatro anos e buscava avidamente por um conjunto de colar, brinco e pulseira de pérolas. Falsas, é lógico. Lembro bem de um camelô muito falastrão levantando um maço de pulseirinhas na minha direção. 'Você quer pérolas? Olha quantas! Tem de montão!' Meu coração se iluminou com aquela visão; pérolas às pencas. Algumas semanas depois, no fim de fevereiro, eu assoprava minhas cinco velinhas, ostentando alegrinha minhas jóias.


Desde então, meu fascínio por essas bolinhas cintilantes manteve-se vivo. Uma vez fiz um conjunto com as pérolas viúvas da família. Um brinquinho da minha primeira infância (esse sim, verdadeiro) virou um pingente e um outro que foi da vó Rosa virou um anel. Faltava o brinco, e esse tinha que ser um par. Peguei da mamãe os brincos que foram da tia Leda. No meu aniversário de treze anos ganhei um outro par, estrelas com brilhante encrustado e um pérola cravada abaixo.