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sábado, 22 de março de 2014

Tela sobre duas rodas

Entrando numa vibe minimalista, depois de uma experiência que eu deveria repetir mais vezes. Desta vez não vou ficar me explicando: quem entender o poema, maravilha! Se não entender, só lamento.




TELA SOBRE DUAS RODAS




Um passo,
um impulso,
ganho a rua,
cruzo o sinal.



E veloz,
o vento,
bate na cara.
E assim nasce,


uma paisagem.
E pessoas,
passam vivas,
de relance por mim.


O mar,
da calçada,
antes melancólico,
ressurge sorrindo.


As pernas,
em brasa,
engrenagens a passeio,
precipitam em cheio,


a mente.
Corrente,
percorre mil e um,
suaves devaneios.



Elétricos,
pensamentos,
faiscantes vibram,
e canto em alto e bom som.


Às filas,
de gente,
bois no matadouro,
morrendo no ponto,


meu adeus.
O sinal,
cruzo novamente,
quase rumo ao fim.


Na praça,
um breque,
estanca o caminho,
que se avia enfim.


O suor,
pelos poros,
verte e da testa,
escorre. Na alma,


lava,
acalma.
Jorra o brilho,
perdido e esquecido,


no fundo,
da alma.
Fim do transe,
saltitante aguardo,


o sonho,
embora fugaz,
de ver de novo o mundo,
do alto de um selim.

Um comentário:

  1. Nossa! Que emocionante! Pude ver te voando sobre duas rodas, rsrs.

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