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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Resenha - A Suspensão da Realidade


Resenha de "Suspensão da Realidade"




O Festival acaba amanhã e minhas últimas energias devotarei a estas resenhas. Depois disso acredito que mereço o descanso dos justos, ou melhor, dos cinéfilos. Foram quase duas semanas de programação intensa (ontem mesmo fui a duas sessões num único dia) e a vida não pára. Continuo trabalhando, estudando e cuidando da minha família. Apesar de ter visto várias boas produções, acho que já fiz melhores escolhas em festivais anteriores. Mas, esta foi sem dúvida a melhor de todas: Suspensão da Realidade.

Há muito tempo eu não assistia a um filme tão bom em todos os sentidos; daqueles que a gente não cansa. Para quem já viu filmes demais na vida, a história a essa altura do campeonato é o que menos importa, queremos mais. Tem que ser inovador, diferente, inusitado e "Suspensão da Realidade" tem todos estes atributos.

Posso dizer que minha história com o filme começou com tudo para dar errado. A sinopse desnudava um suspense bem trivial, com alegações finais de uma narrativa não linear e o retorno de Mike Figgis na direção de longas. Pois é, Mike Figgis de "Despedida em Las Vegas". O filme, super violento e depressivo, deixara em mim uma marca muito negativa. Porém, mais por culpa de mamãe, afinal "Despedida em Las Vegas" não é bem o que podemos chamar de programação apropriada para uma adolescente (mesmo que precoce) de treze anos. Entretanto, um título tão sugestivo (Suspensão da Realidade) me fez esquecer o preconceito e dar uma chance à produção britânica.

Na entrada para a sessão, enquanto papeava sobre as últimas do festival com as atendentes, uma delas se ofereceu para perguntar à encarregada das legendas se o filme era bom. Ela me volta com a moça me dizendo que não deveria perder meu tempo. Mas, já estava com entrada comprada e esperando a sessão começar, então nada podia fazer a não ser pagar para ver.

E não é que Mr. Figgis me ganhou nos cinco primeiros minutos? (a partir daqui começam spoilers leves, tentarei não revelar detalhes cruciais do enredo, pois se falar demais, estraga tudo) O filme se inicia com uma descrição do que seria "Participation Mistique", de acordo com Jung. E o filme segue embalado por "Everything in its right place", de "Radiohead". Envolver nomes de personalidades as quais o trabalho eu admiro imensamente — e numa só "ouverture" — foi mais do que suficiente para mudar minha disposição.

Ao final da sessão, concluí ser uma história interessante e contada de maneira original, mas fiquei com a sensação de que não captara algo. Tive certeza quando uma senhora ao meu lado comentou com a amiga: "Realmente, é a suspensão da realidade!" Como assim? Então havia algo que eu não compreendi.

E lá fui eu, dois dias depois, novamente ao cinema, determinada a não deixar passar absolutamente nada! E dessa vez não deixei. O que eu posso dizer? Só tenho uma expressão: "it's mind blowing". É realmente de pirar a cabeça de tão bom. Uma aula de como fazer cinema noir e de qualidade, em todos os sentidos. Bem, se eu disser mais alguma coisa estraga para quem for assistir. Então, vou deixar apenas alguns pontos essenciais a se prestar atenção para quem quer aproveitar ao máximo a suspensão da realidade:


1) o filme é uma babooshka e o filme que você pensa ser o filme não é o filme (SIC);
2) há alguns padrões que diferenciam o filme do que não é o filme;
3) tem alguns "easter-eggs";
4) o diretor do filme de Sarah, Greg é o alter ego de Mike Figgis, então há revelações importantes em suas falas;
5) redobrem atenção às cenas em que Mark escreve em seu computador e todos os momentos em que alguém lê o roteiro de Mark.
Eis aí as dicas para quem quiser se aventurar e desvendar o intrincado "Suspensão da Realidade". Boa sorte!!!!



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