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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cannes tupiniquim, sucursal de Berlim

Começou hoje o Festival do Rio 2013. São duas semanas, 350 filmes de todas as partes do mundo, 21 cinemas e — se estimarmos uma média de 3 salas por cinema — cerca de 60 salas de exibição de muita, mas muita sétima Arte.




Já faz alguns anos que estava fora do circuito e sair do Odeon hoje com aquela revistinha na mão, lotada de sinopses e horários, é no mínimo eletrizante.

O Festival do Rio é um evento que, diferente da megalomania do Reveillon de Copa ou a própria Copa, nos faz lembrar porque o Rio é tão lindo, tão único, tão cult, tão gostoso. E causa transtornos só dentro da gente e não no trânsito e na rotina da nossa mini metrópole, tão cozy, tão elegante, tão simples e tão chique ao mesmo tempo. Nossa Cannes tupiniquim.

Desde a minha última participação (uns três anos atrás) pouca coisa mudou, mas... a revista agora está mais higiênica, feita em papel de revista ao invés do porcalhento papel de jornal. E tem versão eletrônica, moderna e ecológica para os que gostam de tecnologia e praticidade. Mas, para mim a de papel é mais prática, dá para rabiscar os filmes, fazer planejamento, montar grade de programação... iuhuuuuu!


Se eu vou ver tantos filmes como nas outras edições? Creio que não. Era estudante, agora não mais. Mas os rendimentos continuam tímidos. Hehe. Mesmo assim, prometo postar aqui no blog uma resenha para cada um dos filmes que eu vir. Combinado?


Ia destacar para vocês os títulos que mais me chamaram atenção mas, com 350 filmes dos mais variados gêneros e origens, dá para fazer uma seleção? Difícil. Então resolvi destacar as mostras e os assuntos mais instigantes, inteligentes e inusitados.


Dentro do ano Brasil - Alemanha nada mais justo do que uma atenção especial às produções teutônicas. Quatro mostras homenageiam o Cinema alemão: Escola de Berlim, Clásssicos Alemães (com cinco restaurações de obras de F. W. Murnau, mestre do Cinema Expressionista alemão e do movimento Kammerspiel. Quem nunca viu pelo menos um take de Nosferatu?), Foco Alemanha e a restropectiva Ulrike Ottinger: a prática da invenção.




Entretanto, a mostra Goldie Hawn goes Rio! deixa a desejar. Apenas três filmes protagonizados pela atriz: O Clube das Desquitadas, a Morte lhe cai bem e o chatinho Shampoo. Pena ter ficado de fora o lindíssimo "Liberdade para as borboletas", de 1972.

Percebi também um número grande de filmes brasileiros (longas e documentários) com ênfase na realidade da região Norte, até então um pouco esquecida pelos diretores e produtores. Já no Nordeste, destaque para o inusitado "Restless - Keith Haring na Bahia", documentário que investiga o período entre 1984 e 1986 quando o artista esteve na região de Serra Grande, Bahia. Outra novidade: uma mostra especial TEC, voltada para o mundo tecnológico, cibernético e o assunto vedete do momento: espionagem na internet. Realmente, os tempos são outros. 


Enfim, tem de tudo. Aquele mesmo "reme-reme" elegante francês, filme de confronto em áreas de risco e guerra civil na Ásia e África, mundo árabe, mostra gay. Entretanto, alguns filmes de enredo inusitado tentarei não perder por nada: 1) A verdade sobre Emanuel: (seleção oficial do festival Sundance 2013) onde a moça do título descobre que a vizinha é louca e tem uma boneca que faz passar por seu bebê e, contrariando toda lógica, segue com a sandice e alimenta a fantasia da jovem mãe;2) Vosso ventre: (menção especial do Festival de Veneza 2012) produção filipina que mistura bigamia oficial, ciúmes e o mito do filho de sangue e;3) Walesa: (seleção oficial dos festivais de Veneza e Toronto 2013) de Andrzej Wajda, conta a história real de um eletricista que liderou uma revolução silenciosa que ajudou a derrubar a ditadura na Polônia na década de 1980.


E aí, empolgou? Vamos mergulhar neste escurinho de iluminação. Rumo à sala de projeção!!!!

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