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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O dia em que papai me apresentou Vinicius de Moraes

Vinicius, o poetinha

 Hoje é aniversário do meu pai. Para vocês que têm me acompanhado nestes meses de blog e lido minhas postagens, com certeza perceberam como as citações envolvendo-o são recorrentes. E quase sempre, infelizmente, de cunho negativo. Pode ser que tenham pintado em suas mentes uma pessoa horrível; o que não é verdade. Tudo bem, ele não é perfeito. Mas nenhum de nós o é. Na realidade não sei bem quais são seus defeitos. Uma vez crescida, me parece que eles fazem mais mal a ele próprio do que aos outros. E, ironicamente, ao enxergar suas faltas e dificuldades, me tornei uma pessoa melhor. Assim sendo, a pequena história de hoje servirá como desagravo; uma tentativa de reconstruir a imagem do meu pai para os leitores.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

No casulo do passado

fotos da Time Life magazine
foto de Hart Preston/Time-Life

E a inspiração é voluntariosa! Não obedece nossos objetivos de produção. Sentei para prosa, expirei poesia.

Saudosista Maldito


Ó saudosista maldito,
chorando seu pranto mofado.
É masoquista enrustido,
em paladino do passado.

domingo, 18 de agosto de 2013

As veias abertas (dos Estados Unidos) da América

"Foi apenas um sonho"

Série "Duos" no. 1



Queridos leitores,


Eis aqui, finalmente, o post prometido. A série "Duos" que agora se inicia, tem por objetivo apresentar uma resenha em dobro: livros e suas respectivas adaptações para o Cinema. O duo de hoje é muito, mas muito especial. Pois se não fosse pelo ensaio do escritor Stewart O'Nan, publicado em 1999 pela "Boston Review", talvez a bibliografia de Richard Yates estivesse até hoje fadada ao descaso editorial. E se a "BBC films", em parceria com a "Dreamworks", não tivesse produzido uma versão cinematográfica de "Revolutionary Road" — no Brasil, sob o título "Foi apenas um sonho" — provavelmente sua edição homônima não nos estaria disponível para leitura em português. Um ótimo exemplo de "livro-que virou filme-que lançou livro no Brasil".
Obra inaugural de Yates como romancista, "Revolutionary Road" obteve sucesso na época de sua publicação, em 1961, figurando entre os finalistas ao "National Book Award" de 1962. E, apesar de fazer uma dura crítica ao estilo de vida da classe média norte-americana dos anos 1950, seu texto permanece atual. Atualíssimo. Tanto que em 2008 despertou o interesse de uma das melhores atrizes de sua geração, Kate Winslet, em protagonizar o longa.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Procura-se a Arte desesperadamente

a Arte

...Viva ou morta.
Recompensa: a sua sanidade.
(Prelúdio em prosa)

Queridos amigos leitores,

O post de hoje tinha por missão inaugurar uma série especial sobre filmes, ou melhor, sobre livros e suas respectivas versões cinematográficas. Porém, durante a produção, um aspecto fundamental da seqüência ganhou vida própria e um post inteiro só para si. Este, portanto, será um prefácio, mas nem por isso deixará de fazer parte de uma análise cuidadosa e minuciosa, que consiste somente da minha visão, e não necessariamente da realidade. Vocês têm todo direito de concordar ou discordar e eu tenho todas as possibilidades de estar certa ou errada. Afinal, a vida é um livro aberto e — enquanto vivos — ainda em processo de criação, podendo ser editado, visto e revisto infinitamente até que a última página o feche, ao apagar das luzes.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que não escrevo com um olhar dicotômico sobre literatura norte-americana e suas (boas) adaptações para o Cinema. Estigmatizou-se a idéia de que o livro é sempre melhor e como nada poderá transformar essa triste realidade, só resta ao fiel admirador de determinada obra ir ao cinema e de lá sair — seja muito ou pouco — invariavelmente decepcionado. Isso é em grande parte culpa da própria sociedade elitista em que vivemos, onde duas Artes completamente diferentes são injustamente comparadas. E, verdade seja dita,

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Noiva de negro

Blue Valentine

Como o frio que abateu o nosso Rio 40 graus na semana que passou era mais do que podíamos e estamos acostumados a suportar, nada mais apropriado do que aproveitar o sábado encolhida num sofá. E foi assim, encorujadas num amplo sofá, que eu e minha grande amiga, Valentina, decidimos procurar um bom filme para assistir, usando o moderníssimo conceito de "locadora virtual".

Coincidentemente, ambas mostramos interesse em "Namorados para Sempre", do diretor Derek Cianfrance. Eu, particularmente, estava bastante curiosa para ver Michelle Williams fora da pele de atriz de seriados e filmes de terror teen que tomou. Já havia me surpreendido com sua atuação no (entediante) ultra-cult "Sinédoque, Nova York" durante o festival do Rio de 2008 e queria ter este prazer novamente.

Bem, posso adiantar que