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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ao meu eterno namorado

            

              A história mais bonita dos dias dos namorados para mim foi a da minha avó. Me disse que no ano anterior à morte de seu marido (meu avô querido) ela recebeu no dia dos namorados um grande bouquet de rosas brancas com um envelope escrito: do seu eterno namorado. Tinha uns dezesseis anos quando ela me contou e me emocionei muito com a atitude dele.
             Hoje, dia dos namorados, resolvi publicar um texto seguido de uma poesia que escrevi para meu marido no dia 31 de outubro de 2012. Ele saiu para pegar o avião já de noite, rumo a uma viagem de negócios. Escrevi, escaneei e enviei por email para ele. Acho que até hoje não leu. Mas não me importo. Sei bem que eu e meu querido marido fomos talhados por Deus de forma completamente diferente. E, se tem horas que isso desaponta um pouco, ao mesmo tempo nos completamos. Acabamos por nos equilibrar e espero que nosso amor continue a crescer a cada dia. 
              Um dia dos namorados muito apaixonado para todos. Se tiverem um décimo do que tenho de felicidade e amor, considerem-se muito, mas muito felizes. Acreditem, amar e ser amada como eu é bom, mas às vezes é demais porque não cabe no coração e dá uma dor no peito... :-) Brincadeira, essa dor no peito eu quero sentir para o resto da minha vida. E vamos lá.

                   "É bem provável que você não compreenda; afinal parece que o fogo que arde em meu peito, aquela fome de viver apaixonadamente (dançar, falar alto, encher a cara de vez em quando, ler as plaquinhas das obras nos museus...) não foi moldada em nosso ser pelas mesmas mãos.
                        Por isso o que escrevo agora e a seguir acho que não vai entender. Quando ler, já posso ver seus olhinhos correndo mais do que rápido pelas linhas. Se estivesse ao seu lado, me olharia com desprezo e diria: 'Tá, e daí?'
                         Só que foi assim que me senti no instante que levantei essa pena (SIC) e dei forma ao que estava ali, latente:


Dá-me sentido!


Dá-me sentido! Pois peguei seu lado.
E do meu o que sobrou para a história contar,
Foram só controles e fones, tudo jogado.
E esse seu gato que se recusa deixar afagar.

Dá-me sentido! E para essa dor
Estranha e difícil de explicar.
Já são uma e quarenta da manhã,
E ainda tenho muito sono para repor.

Dá-me sentido! Pois tenho plena certeza
Que os seus a essa alta altura já se foram,
Assim que apagou a luz e recolheu a mesa.

Dá-me sentido! Aqui está faltando tudo.
Sua ausência me leva o sono e a ânsia
Tira todo o resto e deixa o tempo e o torpor.

Dá-me sentido! Pois o único
que vejo agora é o do amor.
Meu amor que na sua falta,
deixa a saudade se impor.

Choro baixinho, não muito,
Só um pouquinho.
Abro, fecho, como, ando,
E nada do sono vir.
Logo ele que pode ajudar
passar o tempo mais rapidinho.

Chegue logo e toma o teu lugar.
Volte para mim sem demora
Nem que seja só para implicar.
Pois aqui está tudo perdido,
Bagunçado, sem graça, desbotado.
Volte logo, deite aqui ao meu lado.

E então toda angústia terá acabado.
Enfim poderei dormir um sono tranqüilo.
Reconstruir meu pobre coração moído.
Minha casa, minha vida recobre assim o brilho.
Meu amor, sem você nada aqui faz sentido.

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