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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Uma linha



Dia quatro. Três meses. Uma linha deitada, no quarto dedo, da mão que eu escrevo. A marca o sol tirou. O vinco cedeu com os dias. Dez anos. Não tivemos filhos. No meu corpo só o que sobrou foi essa linha. Talvez já estivesse ali antes disso. Mas verifiquei todos os outros dedos. Àquela altura daquele jeito, só essa linha, do quarto dedo, da mão que eu escrevo. Será que um dia vai sair? Não importa. Talvez voltemos a contar nosso tempo. Mas não quero voltar a marcar, o quarto dedo, da mão que eu escrevo.

domingo, 1 de outubro de 2017

Lixinhos Literários no. 6 (Fofoca no prédio)


'Chegou tarde', vó Rosa diria.
A web tem um bafafá diferente para cada semana, hoje já é domingo e venho falar de algo que foi bafafá na semana anterior. Nessa que está acabando, o monotema é "criança + gente pelada em museu". Então, vou falar de assunto velho, enterrado semana passada, como provavelmente essa segunda-feira enterrará o "criança + gente pelada em museu". Mas vou contar porque é divertido, e eu quero contar e pronto.
Ontem fui fazer umas torradas, caiu um pouco de orégano na frigideira e eu não percebi. Dali a alguns minutos, começou a subir um cheirinho que me lembrou de um episódio engraçado dos meus tempos tijucanos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ennui

Desenho babadinhos
Um carneirinho
Nuvem
Caderninho de menina
Quase um Bob-esponja
Cartazinho de colégio
Cafona
Muito cafona
Cartolina
Papel crepom
Plissadinho
Uma porção de bundas
Pétalas
Bordadinhos.

Total bore

Boredom
Doom
Bore
Total bore
Boris
Isto é uma vergonha
Vim pra cá
E tem uma floresta lá fora

quinta-feira, 15 de junho de 2017

D de Divagação



Túmulo de Inês de Castro - Mosteiro de Alcobaça
E cá estou eu, precisando escrever um trabalho para ser entregue daqui a uns 15 dias, mas eu persisto em me manter aqui na fluência do texto semiautobiográfico.
Os cubículos da biblioteca da FALE têm janela para um jardinzinho, quase como o do Mosteiro de Santo Antônio da Carioca ou como o do Santuário de Pádua. O de Pádua é maior e mais bucólico, o do Mosteiro do Rio mais arborizado. O daqui tem umas folhinhas baixas, de um dos lados grama esmeralda alta. O centro um retângulo de pedras mais ou menos grandes, alaranjadas. Em cada lado um banco de alvenaria. Tão bonitinho, tão convidativo o pátio. Mas todo mundo só passa por ali, ninguém ocupa. Aí esses quatro banquinhos com jardim no entorno e centro de pedra ficam parecendo uma instalação, uma grande obra de arte, tal qual uma obra de arte dos dias de hoje: todo mundo olha, mas ninguém desfruta.
Isso me lembra os passeios pelas mil e uma igrejas da Alsácia e os castelos da Bavária.

domingo, 12 de março de 2017

Ensaio Pasolini - Futebol e Poesia

O futebol "é" uma linguagem com seus poetas e prosadores


Pier Paolo Pasolini
Tradução: Nicole A. Marcello

Pasolini joga futebol. Foto de Federico Garolla. Fonte: Centro Studi Pier Paolo Pasolini di Casarsa della Delizia

No debate em curso acerca dos problemas linguísticos que dividem artificialmente literatos de jornalistas e jornalistas de jogadores de futebol, fui entrevistado por um jornalista muito simpático para "O Europeu". Mas as minhas respostas na revista mostraram-se um tanto inconsistentes e fracas (devido às exigências jornalísticas!). Como o assunto me interessa, gostaria de retomá-lo agora com mais calma e com plena consciência daquilo que digo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Carta aberta de um católico ao deputado Jair Messias Bolsonaro e aos brasileiros

Queridos leitores,

Estava desaparecida, não? Pois bem, na saída da Missa ontem à tarde parei na loja de artigos religiosos que tem lá e encontrei o senhor Antônio, que me parecia um pouco preocupado. Começamos a conversar, ele me contou como está consternado com tudo que estamos vivendo nos últimos dias no Brasil. Mais um pouco de papo e conto a ele que tenho um blog, ele me pergunta o que é e como funciona. Eu respondo. Ele fica pensativo e me pergunta então se eu poderia publicar algo que ele escreveu. Lógico: a gente aqui não perde a oportunidade de publicar. Hoje de manhã peguei com ele o manuscrito, transcrevi e eis aí o resultado.

Deputado discursando na Paraíba


"Caro deputado,


Provavelmente o senhor nem chegará a ler esta carta que com muita paciência e cuidado decidi escrever (chego até a me sentir um pouco infantil ao ter a expectativa de me dirigir a uma pessoa de cargo público, parlamentar) porém, esta foi a única forma que encontrei de me expressar.
Tenho acompanhado, como todo cidadão portador de cédula eleitoral deveria fazer, seus atos e manifestações enquanto parlamentar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Lixinhos Literários no. 5 (ou F de foda. E de filha-da-puta)

E a quantidade de bolas virtuais de papel atiradas ao cesto torna a aumentar.

Resolvi seguir o conselho do professor deleuziano: quando não há contato não há contágio. Isolar-se impossibilita a troca, a proliferação. Assim sendo, esse fim-de-semana resolvi me expor ao contágio. Trocar afectos. Relacionar-me com o diferente, exercitar a tolerância.
Só que o afecto acaba me fazendo mal. Assumi sim uma postura serena e o mais silente possível. Não sou boa interlocutora, então é melhor medir bem as palavras. Evitá-las até.
Tive êxito na sexta e no sábado, mesmo tendo que ouvir que Miami está um horror por causa da quantidade de gays, negros e cubanos (SIC). Está feia e triste.
Mas aí no domingo resolveram mexer o meu amor. E eu não agüentei.

sábado, 16 de julho de 2016

C de criação

Aos meus pais. E a Preciado.


Eu tenho um defeito. Talvez não seja defeito, mas se for, não adianta. Eu acabo trazendo tudo para a vida. Não vou conseguir ler teoria, literatura, filosofia, astrologia e o escambau e não trazer para a minha vida. Ver onde isso começa e acaba dentro da vida. Se não couber dentro da vida, jogo para o lado e sigo adiante. Senão não vale a pena. De nada vale o que não nos ajude a viver, que seja só falatório, conjectura, imaginação. Imaginação, sonho e blá-blá-blá têm que estar dentro da vida. Senão construímos uma vida fora da vida.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A declaração final da vítima de Stanford em português

Eu acredito no tradutor não só como facilitador e difusor de conteúdo. O tradutor age ajudando a proliferar. Para mim, a minha maior força está em traduzir algo que aparentemente não há interesse em se traduzir. Quando há dois dias, li a declaração final da vítima de Stanford, dirigida mormente ao seu agressor, eu pensei: as pessoas tinham que estar lendo isso. Isso é um manifesto de empoderamento, de conscientização, e uma prova de força. Não sei se foi traduzida pelos meios de comunicação nacionais. Até porque o estupro coletivo ocorrido há algumas semanas no Rio de Janeiro e a crise política no país tomam conta das páginas dos noticiários. Se esta declaração já foi traduzida e publicada em meios de comunicação, ótimo. Se não, fica aqui minha versão da declaração dada por aquela que, na minha opinião, não deveria ser intitulada vítima, mas sim sobrevivente.



"Meritíssimo,

Se não houver problema, durante a maior parte desta declaração eu gostaria de me dirigir diretamente ao réu. Você não me conhece, mas você esteve dentro de mim, e é por isso que estamos aqui hoje. No dia 17 de janeiro de 2015, era uma noite de sábado tranquila em casa. Meu pai preparou o jantar e sentamos à mesa com minha irmã mais nova, que estava nos visitando naquele fim de semana. Eu trabalhava em tempo integral e estava chegando a minha hora de ir dormir. Eu planejava ficar em casa sozinha, assistindo um pouco de TV e lendo, enquanto ela ia para uma festa com amigos. Então, como era minha única noite com ela e eu não tinha nada melhor para fazer, então eu pensei, por que não, tem uma festa boba a 10 minutos da minha casa, eu vou, danço como uma tola, e deixo minha irmã caçula sem graça. No caminho, eu brinquei que os calouros teriam aparelhos nos dentes. Minha irmã me zoou por estar usando um cardigã bege de bibliotecária para uma festa de fraternidade. Eu me intitulei a "tiazona", porque sabia que eu ia ser a mais velha lá. Eu fiz caretas, baixei a guarda, e bebi muito rápido, sem perceber que minha tolerância ao álcool tinha diminuído significativamente desde a faculdade.

Depois disso eu só me lembro de estar numa maca num corredor. Eu tinha sangue seco e curativos nas costas das mãos e nos cotovelos.

sábado, 28 de maio de 2016

Lixinhos Literários no. 4

Coisas que um ninja me disse


Suprematismo (1915), Kazimir Malevich


Outro dia um ninja me disse uma porção de coisas. Duvido que ele seja mesmo ninja, mas como não há nada que prove o contrário, confio em sua palavra. É ninja.

Pois bem. Neste dia o ninja me disse que o segredo da serenidade era saber que o mundo à nossa volta não é o nosso mundo. "Eu tenho o meu mundo, que não é esse mundo aqui. Tente fazer o seguinte: quando for dormir, tente não pensar nas coisas que aconteceram no dia, pensar no que tem que ser feito, nada. Tente encontrar seu mundo."
Chorei. Era tudo o que eu precisava. Não pensar nas mazelas do mundo, nas desgraças. Saber que nada daquilo era meu, mesmo que eu sentisse que fosse. Mas então, o que era o meu mundo? Eu é quem? O que é Eu?
Eu é uma porção de pedaços. Os que eu escolho e os que eu não escolho, que vão colando em mim. Eu são as coisas que aprendi. As pessoas com quem convivi. Eu são boas e más lembranças. O que seria Eu sem as histórias que li, que me contaram? Eu é a cara de pessoas que amo e odeio ao olhar no espelho. Eu é moça sozinha, mulher casada, dona-de-casa, estudante, cult, caipira simplória e baile de favela vagando no mundo. É o gato de olho arregalado, que só confia em si. E o cão vadio, que anda sem rumo de cabeça erguida, confiante. Eu são astros, água, terra e fogo. Nessa ordem.
Será que em Eu há algo que seja realmente meu? Talvez Eu seja na realidade um grande nada. Um grande aberto. Mas um nada aberto não é necessariamente vazio. Nada não é oco, nem vácuo. Nada é alguma coisa.
Saberei quem sou no dia em que conseguir acessar esse lugar intocado, imaculado. Este aberto onde nada entra e nada sai; há só o verdadeiro de nós mesmos. Neste dia terei então conhecido a mim mesma.

Branco no branco (1918), Tela de Kazimir Malevich

terça-feira, 24 de maio de 2016

B de baiano

Baiano (Baía, topônimo + -ano).


Adjetivo: relativo ou pertencente ao estado brasileiro da Bahia.
Substantivo masculino: natural ou habitante da Bahia.




Mas em São Paulo a gente usava com sentido diferente. Quando alguma arrumação era muito colorida, espalhafatosa, sem ordem ou combinação, dizíamos que aquilo estava muito 'baiano'. Em leve tom pejorativo, é óbvio.
Minha avó ficava irritadíssima quando diziam que era baiana. É natural de Goianinha, Rio Grande do Norte. Só não sei se não gostava da generalização ou da equiparação. Talvez não quisesse ser associada ao estereótipo do baiano: lerdo, devagar, preguiçoso. Logo ela, que trabalhou tanto na vida. Chegou a lavar roupa de cama do Regimento. O encarregado do quartel levava o fardo toda semana para ela e uma amiga em camioneta aberta, e descarregavam com carrinho de mão. Piruzinho como chamávamos em Caçapava.
A coitada já foi chamada de tanta coisa aqui para os lados do 'sul'. O que mais a entristecia era ser chamada de 'pau-de-arara'. Magoava mesmo. Mas talvez quem devesse ficar mais enraivecido é o próprio baiano. Os tantos baianos e não-baianos, nordestinos enfim, que trabalham na construção civil, em serviços gerais, entre outros ofícios mais ou menos penosos, para serem desprezados por gente que às vezes não precisou trabalhar um dia sequer na vida. Isso sim ofende mais do que tudo.
Mas, para também não ser tão dura com meus conterrâneos,

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A Voz do Brasil


Brasil, sexta-feira, 13 de maio de 2016. 19 horas. Horário de Brasília.

Sabemos que a Guarajuba, árvore que considerávamos extinta há dezoito anos, teve um exemplar encontrado em Niterói.

Comemora-se o dia da Virgem de Fátima.

Vejo que da lama mais abissal saiu aquele que é meu maior tesouro.

Li numa camiseta que "A vida ainda vale a pena".

Uma amiga saiu de seu bloqueio criativo.

Uma frente fria tomou o Rio, e cai uma chuva fina (por vezes não tão fina). A essa altura só os parvos e os articuladores são capazes de comemorar a atual situação. As hienas e os ratos. Mas impera um estranho silêncio.
Foi numa noite de quinta para sexta que aquele homem comeu com seus doze companheiros.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Às Melhores Mães





Pier Paolo Pasolini foi um artista polêmico, em todos os aspectos. Sua atuação como roteirista e diretor cinematográfico é a mais conhecida do grande público, e muita gente não faz nem ideia de que Pasolini escreveu romances, ensaios (compilados numa edição de três grossos volumes) e poesia. E esse artista multifacetado é também uma figura envolta em mistério. Até hoje as circunstâncias de seu brutal assassinato, ocorrido em fins de 1975, não foram devidamente/satisfatoriamente esclarecidas. Das especulações mais radicais, a versão mais absurda e disparatada é também a mais fascinante: nessa "teoria da conspiração", a morte de Pasolini representaria na realidade um suicídio, pois teria sido um assassinato orquestrado pelo próprio cineasta, o qual teria em mente sua morte como a obra que finalizaria a sequência de seus filmes. Os defensores desta hipótese afirmam que ao assistir aos filmes de Pasolini é possível perceber e delinear seu fim trágico.

Mas justamente por ser a versão mais improvável e fantasiosa de sua morte é que ela se torna tão atraente. Sendo assim, decidi assistir à filmografia (de longas) de Pasolini em ordem cronológica, e observar como ela se delineia. E ontem foi a vez de Mamma Roma (1962).
Segundo longa de Pasolini, Mamma Roma (1962) conta a história de uma prostituta de meia-idade (Anna Magnani) que consegue deixar as ruas

sábado, 7 de maio de 2016

A de Amizade

Não, não vou falar sobre mães. Eu gosto de estar fora do padrão, de marchar, de pensar ao lado; de fazer diferente. Então, se vocês hoje quiserem ouvir sobre amizade, leiam. 
Este texto não era para estar aqui, porque ele é parte de um projeto maior, que não sei se terei fôlego para terminar, mas gostaria muito. Entretanto, hoje quando comentei com uma amiga muito querida que havia escrito sobre amizade, ela quis ler. Então ele veio para cá, para estar loguinho com ela. 

Amizade (latim vulgar amicitas, -atis).

Pouco importa a potencialidade de falar sobre a alma, o abstrato, o outro mundo e outros mundos. A amizade é assunto para mim infinitas vezes mais sedutor. Não adianta, a gente fala daquilo que nos é caro. Porque de todas as relações (humanas e não-humanas), a amizade é para mim a mais valiosa e delicada.
Não falo aqui de conexões, contatos, conhecimentos, colegas. Nestes laços estão envolvidos interesses de algum tipo. Baseiam-se na troca; mercantilização de contato. Quero falar das amizades; aquelas junções inexplicáveis.
Gosto da amizade porque é aliança, mais santa que o matrimônio. Quase um feitiço. Dos relacionamentos existentes, a amizade é o menos provável, menos possível; sem sentido lógico. A amizade definitivamente não é racional.
Amigos encontram-se por acaso, mas permanecem juntos por livre escolha. Há partilha, é verdade. Trocam-se interesses, ideias, receitas, afeto… por um prazer simples, e ao mesmo tempo tão complicado. E quando nos damos conta, somos capazes de pôr em risco até a vida, por um afeto dos mais tênues. Ligados por uma atração perigosamente delicada.
Retirados os impulsos sexuais e as vantagens e intercâmbios de toda sorte (agentes de embaralhamento dos sentimentos), sobra o sem sentido: a amizade.
Não há sangue, pátria, Deus, dinheiro nem espécie. Não há nada que justifique a amizade, além do gosto que esta tem em ser alimentada. Uma gratidão, uma vontade de extrapolar a alegria da partilha da vida.
Não que sejamos imunes aos efeitos do contato, pelo contrário. Impossível não sermos contaminados pelo amigo. Há memória, experiência, ideias, o aprendizado. Nunca seremos os mesmos de novo. Mas não há proporcionalidade, regulamentação, protocolo. E somos senhores do toque: basta que se afastem as superfícies de contato e tudo se apaga. Ou não. Nunca se sabe.
Por toda essa radical liberdade; sem culpa, sem dever, sem cobrança. Por esse nada em potencial, que pode vir a ser a potência maior, eu declaro: a amizade é sublime, santa e sagrada.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Racismo: Está na cabeça de cada um

Não é novidade para ninguém que atualmente todo mundo quer falar de tudo. O imediatismo das redes sociais torna qualquer assunto um debate público extenso, ainda que, na maioria das vezes, este debate seja pouco aprofundado. Em geral, essas intervenções se resumem a ofensas e agressões, ou a uma verborragia de muitas convicções mas pouco embasamento. Esse cenário atual foi muito bem percebido e resumido por Nuno Ramos durante debate na PUC-Rio em 2015, onde disse nunca ter visto tanta gente com tantas certezas, e que estava impressionado como hoje todos pareciam saber de tudo.

E ultimamente é assim que acontece, pelo menos na minha experiência: compartilha-se um vídeo ou um texto que contém idéias mais polêmicas e logo em seguida aparece aquele conhecido — que nunca curte nem compartilha nada mais trivial postado no perfil — comentando agressivamente no post.  E aí, quando o comentário é rebatido de forma madura, com embasamento histórico, acadêmico e crítico, por meio de vídeos, textos, depoimentos e afins, a pessoa some. Silencia. Isso quando não deleta o comentário. Só que dessa vez foi diferente.
Começou como de hábito. O assunto da semana foi a babá obrigada a acompanhar os patrões numa manifestação. Gostei muito do vídeo de uma moça sobre o assunto e compartilhei. Lembro bem de como terminava: "Não venha falar da minha dor, se você não tem a minha cor." Passados nem dez minutos e a postagem recebeu os seguintes comentários:

"Bla bl bla mais uma vitima...."

"Nicole com todo o respeito este video é muito bla bla bla,.... Meu Deus como o povo quer se vitimizar! Daqui a pouco vai aparecer um doido dizendo que tem extinguir todos os brancos para assim terem oportunidades rsrsrs!"

Tudo dentro da agressividade já corriqueira das redes sociais. Já estava pronta para argumentar, mas aí me senti impotente e desconcertada, tudo embaralhou. Como é que se explica a discriminação racial para uma pessoa negra?